Usabilidade “Pouco Iluminada” no Luzboa 2006

Escrito na categoria de Usabilidade, Acessibilidade, Mundo Real em 29/09/2006, por Daniel.

A Bienal Luzboa é uma iniciativa em que a iluminação é usada como forma de arte nas ruas da capital. Desde alterações à habitual iluminação pública, a instalações que usam a luz para criar um determinado ambiente ou passar uma mensagem, há um pouco de tudo. Este ano, temos até três trajectos que se complementam, o Vermelho, Verde e Azul, ao longo dos quais a iluminação pública tem a cor respectiva e onde podemos encontrar as tais instalações.

O problema é encontrar todas as coisas que há para ver. Vamos ao local do evento, em busca da informação… É todo em flash, mas disso já falámos antes. Na secção de eventos, encontramos um “mapa” com os trajectos e uma breve descrição dos mesmos. Mas… como levo o mapa para o seguir nas ruas da cidade? Não é possível imprimí-lo, porque está em flash! Não que, na realidade, servisse de muito, porque apesar de ser “artístico”, não possui detalhe suficiente para identificar claramente os locais em causa.

Mapa do Luzboa no local

Bem, talvez exista um mapa em papel que possamos obter em qualquer lado? E existe! Mais ou menos… No dia da inauguração, consegui uma cópia do mapa. Cheio de esperança abri-o, e qual não é o meu espanto ao ver que, se algo, é pior ainda que a versão online! As ruas da cidade tornaram-se em algo esquemático, mal legendado, e num grafísmo de traços brancos finos sobre um fundo negro. Pensando que se destina a ser seguido na semi-escuridão das ruas à noite, eventualmente por pessoas com alguns problemas de visão (como é o meu caso), algo certamente não está bem.

Mapa do Luzboa em papel

Houve claramente uma predominância dos aspectos meramente estéticos sobre a usabilidade e acessibilidade. Não que as coisas não devam ser estéticas, mas nunca esqueçamos qual o seu fim último, sob pena de serem estéticas mas inúteis… A usabilidade é, também, uma questão de facilidade de acesso e utilização de informação.

Mas tudo tem solução! Uma das pessoas da organização que estava no jardim do Príncipe Real tinha um documento interno onde… existe um mapa em condições! Uma fotografia digital depois, e está resolvido o problema… Não tinha custado nada usá-lo no local, por exemplo, para quem quiser o descarregar e imprimir.

Valentim de Carvalho: Megastore virtual ou um desastre real?

Escrito na categoria de Usabilidade em 05/09/2006, por Daniel.

Há dias, procurava uma prenda para oferecer a alguém no seu aniversário: um CD com uma colectânea dos Sisters of Mercy ou Morissey era a escolha preferencial. Percorri os lugares habituais: FNAC, Worten, etc., mas sempre sem sorte: CDs spin-off dos Morangos Com Açucar e coisas semelhantes há muitos, mas não dos artistas que procurava (isto poderia levar a outro artigo inteiro num outro local…). Um pouco chateado, cheguei a casa e lembrei-me: “Ah! Há uma loja da Valentim de Carvalho no Saldanha Residence! Talvez me safe!”. Vãs esperanças, viria a descobrir, mas entretanto, em busca de um contacto da loja para poupar uma deslocação inútil, procurei o local da empresa na Web.

Uma pesquisa no Google deu um bom resultado logo à primeira:

Resultados da pesquisa pelo local da Valentim de Carvalho

Claramente um resultado “à medida” provavelmente pago pela própria empresa, mas a coisa prometia! “Uma megastore virtual para cybercompras de CDs e cassettes”? Mesmo que não houvesse o tão procurado CD na loja do Residence, talvez fosse possível encomendá-lo! Cheio de entusiasmo, segui o elo… para juntar mais uma frustração às que já tinha tido nesse dia.

Local da Valentim de Carvalho

O local da Valentim de Carvalho é pouco mais que uma página com informação institucional sobre a empresa. “Megastore Virtual”, se alguma vez houve, já lá não está. Independentemente disso, o próprio design do local deixa muito a desejar. É mais um daqueles locais declaradamente “optimizado para 800×600 pixeis”. Ou seja, completamente rígido em relação às dimensões dos elementos das páginas, fazendo com que o seu aspecto numa outra resolução seja pouco estético, desperdiçando-se imenso espaço que poderia ser usado com informação útil. E, claro, se estivesse a ser visualizado num dos cada vez mais comuns navegadores em dispositivos móveis, cuja resolução fica muito aquém dos 800×600, seria practicamente impossível de usar. Um local bem desenhado adapta-se a todas as resoluções!

Os problemas de usabilidade são mais, mas para não me alongar demasiado, aqui ficam alguns dos mais evidentes:

  • Grande parte do texto nas páginas (certamente todo o relacionado com navegação) são imagens, e não texto. Assim sendo, o seu tamanho não pode ser alterado por utilizadores com dificuldades de visão, não são indexáveis por motores de pesquisa, etc.
  • Dois elos importantes (aliás, os que me fizeram procurar o local), “Contactos” e “Onde Estamos”, são duas imagens com texto rodado 90 graus, à direita, com legibilidade muito reduzida.
    Elos de contacto no local da Valentim de Carvalho
  • Há ainda mais outra zona de navegação: o elo “Institucional” que vai para a página inicial, está separado dos restantes (porque para caber tudo em 800×600 assim teve que ser?)…
  • Se navegar no local é difícil, através da pesquisa a coisa não melhora… Procurando vários termos que vi no local (incluindo os nomes das secções do mesmo…) nunca produz resultados

Em suma, mais algum cuidado na criação do local, com um mínimo de preocupação com a usabilidade do mesmo teria melhorado substancialmente o local, que é mais um exemplo de algo que tentou ser “muito bonito” à custa da sua funcionalidade.

E quanto ao CD que tinha que comprar? Tive que recorrer à amazon.co.uk, uma vez que em terras lusas não o consegui encontrar.

Referências

[1] Screen Resolution and Page Layout, Jakob Nielsen’s Alertbox, 31 de Julho, 2006